Tuesday, May 03rd, 2011 | Author:

Impressiona olhar máscaras em ouro maciço, do tamanho natural de um rosto, dentro do enorme cofre forte no subsolo de um grande banco no centro financeiro de São Paulo. Minha imaginação correu longe em imaginar que elas foram feitas bem antes de Colombo descobrir a América, por incas ou maias, povos convencidos de que sacrifícios humanos aos deuses eram necessários, nem que fosse dos seus próprios filhos ou filhas. Gostei muito de visitar a exposição Por Ti América, no Centro Cultural Banco do Brasil. Nunca havia entrado em um cofre forte de banco. Muito menos para ver uma coleção de objetos de ouro. Novidade total para mim.
Acredito que é a necessidade do novo que faz toda a diferença para o ser humano. Um bom exemplo é que por mais lindo e caprichado que você tenha feito seu jardim, por melhores que tenham sido suas intenções em tomar na varanda uma taça de vinho admirando suas palmeiras-imperiais, dois anos depois elas poucos olhares recebem. O seu olhar já viu, pesquisou e descobriu tudo o que tinha para curtir nessa paisagem. É a hora certa de mudar.
Uma nova planta escultural, um quiosque, uma reforma na piscina, novos vasos na varanda, qualquer uma dessas idéias pode modificar seu olhar, dar novo gosto ao seu jardim. É rápido, fácil e de resultados surpreendentes. Mas adianto que os verdadeiros jardinistas não agem assim. Quem gosta mesmo de pensar e cuidar do seu jardim não deixa jamais que ele se banalize. Entende que o jardim nunca fica pronto e o tempo inteiro pensa novidades, faz reformas, retira o que não deu certo, tenta novas experiências, se diverte e, acima de tudo, vê suas fantasias realizadas. Deixa-se apaixonar por um pândano, mas não compra de imediato. Antes, namora, pensa e fantasia como ele ficaria aqui ou acolá. Até o grande dia em que ele chega, é plantado, saudado, iluminado e, quem sabe, ateser brindado por uma taça de vinho.
Quer saber? Claro que tudo isso vale também para relacionamentos. A gente repete comportamentos em tudo o que faz. Fica claro que sou daqueles que prefere alterar o jardim o tempo inteiro do que arrancar tudo e começar do zêro. Acredito que quem não se reinventa, que usa sempre uma mesma máscara, mesmo que de ouro, acaba cansandoquem está por perto. Acapacidade de imaginar,brincar e realizar é que permite a emoção do novo. E é essa renovação que dá graça à vida e aos jardins.

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