Wednesday, December 28th, 2011 | Author:

“Uma fazenda com palmeiras-imperiais enfileiradas é muito clássico ”
Raul: Você é conhecido por fazer jardins clássicos. Por que escolheu esse estilo?
Riscala: Gosto de tudo clássico: arquitetura, jardins, roupas…
Manoel: Noto que muitos paisagistas têm dificuldade de definir o que é um jardim clássico. Qual sua opinião?
Riscala: Clássico não significa estilo francês ou inglês. Quero combater um pouco essa teoria. Para mim, uma fazenda com 15 palmeiras-imperiais enfileiras de cada lado é a coisa mais clássica que pode existir. Considero meu jardim da Casa Cor deste ano muito clássico e ele não tem nada de francês. Tem esculturas tailandesas, um Buda de pedra, topiarias de tumbérgia-arbustiva, fundo preto que contrasta com o verde das plantas. Quando o Gil Fialho fala em defender o jardim tropical, eu acho legal. Mas se você for criar um jardim tropical numa casa de estilo muito clássico, pelo menos, faça um tropical clássico. Estilo é uma coisa em que você não pode fugir demais, senão faz bobagem. Também penso muito na qualidade. Jardim tem que durar. Aí vem minha preocupação com esse novo paisagismo. Acho que as pessoas não pensam em longo prazo.
Roberto: Como fazer para ganhar a confiança do cliente?
Riscala: Primeiro é estar disponível. Vivem me dizendo: “É fácil falar com você. Com os outros é tão difícil”. Mas, espera um pouquinho: somos paisagistas, não donos de banco. Acho esse glamour um pouco exagerado. Quando alguém liga para meu escritório, se for necessário, a secretária dá meu celular e eu resolvo o problema na hora. Gosto do relacionamento humano e de como entramos na casa e na vida das pessoas. Durante anos, fui o paisagista do banco Excel. Eu era a única pessoa autorizada a entrar na sala da presidência sem crachá. Isso para mim era uma honra. Ninguém do banco podia.
Manoel: Pelo jeito, você atende clientes importantes, não?
Riscala: Também não dá para viver só fazendo jardins para milionários. Quando comecei com a Neiva, só ela atendia milionários. Depois foi a Maria João, agora é o Gilberto Elkis, amanhã não sei quem será.
Manoel: Como assim? Riscala: Em 1995, eu era o máximo. Meu escritório bombava. Naquela época, muitos paisagistas eram tratados como deuses. Onde anda esse pessoal hoje? A vida é cíclica. Não trabalho por esporte. Eu escolhi o paisagismo para ser minha atividade pelo resto da vida.
Roberto: Como foi essa sua época de celebridade?
Riscala: Na tentativa de abraçar tudo, meti muito os pés pelas mãos. Eu tinha uma estrutura grande, comum em vários escritórios atuais. Hoje está mais fácil: muita gente se forma em arquitetura, a ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas) é mais atuante, existem mais livros e mil coisas que colaboram.
Roberto: Qual foi seu maior erro no seu período de celebridade?
Riscala: Pegar muita coisa e viajar ao mesmo tempo. Eu era celebridade, uma hora estava na Europa, outra na Argentina… Me diziam: “Você tem que fazer o trabalho.” E eu respondia: “Não. Alguém resolve isso para mim”. Daí descobri que assistente era uma encrenca. Tem outra coisa, é preciso administrar. No meu caso, executo e crio jardins. Meu escritório de paisagismo é uma empresa.
Raul: Você fez um estágio com Burle Marx?
Riscala: Freqüentei a casa de Burle Marx por três meses. Fui lá e perguntei se ele podia me ensinar algo. “Nada”, ele respondeu. “Vai andar pelo sítio que você aprende. Estou pintando agora”. Tenho uma foto desse momento em que ele pintava um quadro. Até hoje procuro este quadro para comprar.
Raul: Burle Marx é um ponto entre a arquitetura e botânica. Ele se dava muito bem com as duas.
Riscala: Burle Marx era um excelente “fazedor de desenhos”, como eu chamo. Qualquer projeto dele forma um quadro digno de ser pendurado na parede. Isso me surpreendeu no trabalho dele. O cara entendia tanto de botânica que desenhava grandes manchas e depois escolhia as plantas.
Roberto: Já que você trabalha com estruturas, quais suas dicas para fazer uma piscina eficiente?
Riscala: Segurança é essencial. Se você tem filhos pequenos, por que fazer uma piscina com revestimento de vidro? Há o risco de uma criança passar a mão e se cortar. Muitas vezes o cliente pede para colocar vidrotil e não se importa com o resto. Também acho o vidrotil a coisa mais linda do mundo, mas para situações específicas. Outro erro freqüente são as sombras. O sol do inverno é muito baixo em relação ao sol do verão. Hoje em dia, com essa mania de construir casas altas, muitas vezes faz sombra no jardim inteiro durante o inverno. Aí entra a conversa do paisagista com o arquiteto. O arquiteto projeta a piscina, mas o paisagista pode pedir para trocá-la de lugar. É fundamental que os dois profissionais trabalhem juntos.
Manoel: E sobre o entorno da piscina? Há alguma dica?
Riscala: E comum o uso de borda escura ou usar grandes deques de madeira na piscina. No calor, o piso esquenta muito e não dá para andar. Estamos em um país tropical. Madeira você tem que intercalar com outras coisas. Pode ser um piso Solarium ou de pedra. A cor do revestimento da piscina também engana. Dentro da água, a cor escurece um tom. Então, para chegar na cor desejada, precisa colocar uma pastilha mais clara.

Categoría: Dicas jardim
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