Tuesday, February 07th, 2012 | Author:

A arquiteto paisagista Thais de Freitas Ayres recebeu a equipe da revista Coisas de Jardim para falor sobre seu trabalho e suas impressões do mercado paisagístico no Brasil.

Graduada pela Faculdade de Arquitetura Mackenzie desde 1979, Thais de Freitas Ayres atua na área de paisagismo há dez anos, em São Paulo. Seu interesse pelo assunto surgiu há cerca de 15 anos, após abrir um escritório de arquitetura e perceber a enorme procura por projetos paisagísticos na região em que atuava.
A partir daí, fez cursos de aperfeiçoamento no Viveiro Manequinho Lopes, no Parque do Ibirapuera, e na ESPADE -Escola Paulista de Decoração -e passou a trabalhar somente com paisagismo de interiores e exteriores e algumas reformas arquitetônicas, especificamente em áreas de lazer.
Atualmente, a paisagista desenvolve projetos em várias regiões do Estado e implanta inclusive jardins baseados no Feng Shui – arte milenar chinesa que propõe a harmonização de ambientes.
Cf – O mercado paisagístico no Brasil tem crescido bastante nos últimos anos. Na sua opinião, quais seriam os principais fatores que têm alavancado este setor?
Thais -Acredito que a conscientização das pessoas com o meio ambiente seria um dos fatores para esse crescimento, além do sentimento de querermos ficar ao lado do verde numa cidade como São Paulo.
CJ – Você vê esse crescimento como algo positivo?
Thais – Hoje, no Brasil, esse mercado está crescendo muito, pois as pessoas buscam um pouco mais de verde em suas casas, por menor que sejam elas. Isso faz a concorrência aumentar e faz com que o paisagista se esforce cada vez mais para ser um bom profissional.
CJ – Então você acredita que o mercado paisagístico ainda tem para onde crescer?
Thais-Tem várias possibilidades de crescimento. Nós ainda estamos caminhando nesta área. Não podemos esquecer que as pessoas passaram a dar valor para o verde há pouco tempo.
Cf-As parcerias acontecem cada vez com mais freqüência em todos os ramos de negócio. No paisagismo não é diferente e o resultado são as grandes empresas. Você acha que de alguma maneira isso ameaça o trabalho dos profissionais autônomos?
Thais – Acredito que estimulem o profissional a melhorar seu desempenho cada vez mais e essas parcerias fazem com que as pessoas comprem algo com um paisagismo bem elaborado, fazendo com que comecem a ver o paisagismo como algo importante para a qualidade de vida delas e não como algo fútil.
CJ – Vamos falar um pouco sobre o seu trabalho. Você tem um estilo definido nos projetos que realiza?
Thais – Não tenho um estilo. O clima da região e a arquitetura do local é que definem o projeto. Particularmente, gosto de coisas mais “cleans”.
CJ – Na hora de elaborar um projeto, quais são os critérios que você leva em consideração para obter bons resultados?
Thais – Em primeiro lugar, o clima do local, a posição do sol e a partir daí começo a elaborar o projeto observando formas, cores e texturas das plantas e acessórios.
CJ – Em que você costuma se inspirar?
Thais – Gosto de observar a arquitetura da casa e, com o projeto paisagístico, valorizá-la.
CJ – Dá para atender a todos os desejos do cliente?
Thais – Nem sempre. E tudo vai depender do desejo.
CJ – É comum ouvirmos profissionais do paisagismo reclamando da falta de manutenção após a implantação de um projeto. Gostaria que você falasse um pouco aos nossos leitores sobre a importância da necessidade desta manutenção e por que isso geralmente não acontece.
Thais – Ela é muito importante. Primeiro para não haver alterações nas propostas originais. Depois, para que o jardim permaneça sempre vistoso, florido e saudável. Afinal, o cliente tem um custo que muitas vezes é alto e ele não quer perder isso. As pessoas acham alto o investimento numa manutenção, mas esquecem que para se ter algo sempre bonito é preciso “alimentá-lo” corretamente.
CJ – O Ceasa/Ceagesp continua sendo o principal distribuidor de plantas e acessórios para os profissionais do paisagismo em São Paulo?
Thais – Atualmente não acredito que seja o principal. Estão surgindo lugares em diversos bairros com ótimos e diferenciados produtos.
CJ – A cada novo trabalho realizado você costuma modificar algo em seus conceitos de trabalho, baseando-se no que já fez de errado?
Thais – Sim, pois sem esta correção não haveria evolução profissional.
CJ – Qual é o perfil do seu público consumidor?
Thais – Não há um perfil definido. Atendo a casais jovens e sua primeira casa, idosos, solteiros…
CJ – Você acredita que um dia todas as classes econômicas terão acesso aos serviços de um paisagista?
Thais – Nos projetos de habitação popular geralmente o paisagismo já está incluído, mas o que falta é o incentivo das prefeituras no que diz respeito ao fornecimento de material para que as pessoas possam cultivar um jardim. Outro problema é a falta de conscientização dos moradores de que o paisagismo traz melhor qualidade de vida. Uma solução seria a criação de progra-
mas de educação ambiental nas comunidades mais carentes.
CJ -O Brasil conta com publicações suficientes para atender às necessidades dos profissionais da área?
Thais – Agora é que estão surgindo publicações mensais. Antes existiam duas, hoje temos de cinco a seis. Quanto a livros nacionais, são pouquíssimos.
CJ – Como você avalia essa febre de consumo por trabalhos paisagísticos realizados sob os preceitos do Feng Shui?
Thais – Acho que as pessoas estão buscando algo mais espiritual para suas vidas, mas é preciso ter cuidado, pois quando algo vira febre, sempre aparecem os que querem se aproveitar. Afinal, são anos de estudo para que se possa desenvolver todas as técnicas de trabalho adequadas.
CJ – Quais sãos os cuidados que se deve ter ao contratar profissionais que prestam consultoria em Feng Shui?
Thais – Informações com quem já fez, mas mesmo assim fica difícil saber quem é a pessoa, onde e com quem estudou, etc. Discernimento e “feeling” são as melhores armas.
CJ – Para finalizar, qual seria o seu conselho para as pessoas que estão iniciando agora neste ramo de atividade?
Thais – Gostar muito do que faz, estudar tudo sempre, e para mim algo muito importante: ser honesto com o cliente.

Categoría: Dicas jardim
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