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Wednesday, July 11th, 2012 | Author:

Atualmente a senhora é sócia do escritório Barbieri & Gorski Arquitetos Associados, junto com seu marido, Michel Gorski, e vocês acabaram se especializando em arquitetura de lazer. Como se deu essa especialização?
A área de lazer sempre me agradou muito, talvez porque permeie um pouco o território da escultura, da licença poética, em que é possível sair dos cânones mais estabelecidos e criar espaços lúdicos.
Essa especialização foi acontecendo naturalmente. A gente já vinha trabalhando muito com playground. Em 1980, fiz um trabalho no Guarujá em que o playground foi foco de muita discussão, buscando valorizar mais essa área e fazer algo menos convencional, um momento que marcou esse nosso diferencial de trabalhar com a área de lazer. Por conta disso, em meados de 1988, nosso escritório foi convidado a trabalhar no projeto do Parque da Mônica, em São Paulo. Isso nos abriu uma grande porta de conhecimento, pois começamos a viajar pra conhecer outros parques, em outros países. Os parques do Japão, por exemplo, eram muito mais ousados que os dos Estados Unidos, onde se tem muito medo de acidente, os americanos têm muito mais preocupação com segurança. E percebemos que a tipologia dos brinquedos na Europa, nos Eua e no Japão era muito diferente. Na Europa, havia brinquedos mais naturais, com madeira, sem pintura, eles têm a preocupação de integrar o lazer à natureza.
Para o projeto do Parque da Mônica, tivemos que detalhar todos os brinquedos. Com um lugar e um público específicos, criamos brinquedo por brinquedo, fazendo propostas que atendiam também, evidentejriente, às diretrizes da Maurício de Souza, afinal, o parque tinha que refletir o universo do cartoon. E o Maurício de Souza definiu muito claramente o seu desejo por brinquedos interativos, muito interessantes em termos de proposta para um parque de diversões, já que todo mundo sempre pensa em brinquedos mecanizados.

Além do lazer, que outros tipos de projetos vocês têm desenvolvido?

A gente tem trabalhado muito também com condomínios horizontais, tipo pousadas, no Centro-oeste, principalmente em Uberlândia e Goiânia. Nesses condomínios, também a área de lazer é muito importante, não só a questão do playground, mas as áreas esportivas, o cooper, os riozinhos, lagos etc, afinal é o ponto de venda principal: saia do ambiente urbano e venha descansar junto à natureza. Em geral, os proprietários procuram áreas que já têm matas muito bem formadas, e isso nos leva a trabalhar com espécies do cerrado, espécies locais. Vi, em Caldas Novas, jardineiros e pessoal da área trabalhando com pinheirinhos; como as pessoas não estavam muito ligadas no assunto, queriam comprar plantas exóticas, quando na verdade a gente estava querendo valorizar as espécies locais. No cerrado é muito difícil fazer transplante, porque a vegetação tem um enraizamento muito profundo, por causa do lençol freático que também é muito profundo, então fica difícil remanejara vegetação existente. Por isso, o ideal mesmo é poupar o que existe no terreno. E o que a gente tem feito.

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