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Friday, July 13th, 2012 | Author:

A senhora acha que essa questão do desconhecimento acontece em função da falta de uma política de educação ambiental?

Totalmente. Hoje mesmo fiz parte de uma banca de graduação na Faculdade de Arquitetura do Mackenzie e o foco da questão eram os centros de educação ambiental. E um assunto muito sério, se o cidadão não é conscientizado, ele acha que o cerrado, por exemplo, é mato, não sabe o potencial que aquela vegetação tem, não conhece a diversidade de flores, frutos e árvores. Por isso, quanto mais a gente divulgar e mais pessoas tiverem essa consciência, tanto mais serão valorizados os ambientes locais. O nosso grande problema é a padronização, muitos elegem algumas espécies da moda e resolvem levar pelo Brasil afora. O pingo-de-ouro e o fícus, por exemplo, viraram elementos-padrão, enquanto estamos deixando de explorar os que têm importância muito grande em cada região.
E os jardins estrangeiros, deixaram de ser copiados?

Ainda há uma influência externa muito grande, por uma razão muito simples: quem publica sobre paisagismo são eles, os Eua, a França, ojapão, agora a Austrália… A gente não tem quase nada de publicações específicas, então acabamos bebendo, ainda, na fonte externa. Na medida em que tivermos mais publicações brasileiras, que divulgarmos melhor os trabalhos dos profissionais daqui, vamos conseguir fazer com que as pessoas se espelhem nos exemplos nacionais.
Que características a senhora leva em conta no momento de contratar um estagiário?

Em geral, os estudantes que vêm aqui já buscam trabalhar com área de lazer ou com paisagismo. Então este é o primeiro ponto: ter interesse pela nossa área de atuação dentro do paisagismo ou lazer. E depois, é preciso que o estudante entenda que a gente não vai trabalhar só com espécies vegetais; abarcamos um universo muito mais amplo. Verifico se eleja trabalhou com alguém nesta área, e se apresenta um profundo interesse em atuar neste campo.
E o conhecimento das espécies, é fundamental na hora da contratação?

Não, porque na verdade a gente vai aprendendo todo dia. Essas espécies de cerrado, por exemplo, estou aprendendo porque trabalho com agrônomos ou botânicos no local, que me dão consultoria. Se eu for trabalhar no Acre, preciso ter um profissional que entenda também daquela realidade. Quando trabalhei em Palmas, fomos buscar um botânico da Universidade de Tocantins pra fazer o levantamento florístico da orla do lago de Palmas, e ele fez uma lista de recomendações das espécies que a gente poderia agregar às existentes, porque é um universo que não dá pra dominar completamente. Nesses trabalhos de maior escala, a gente tem que trabalhar com equipes multidisciplinares: arquitetos, botânicos, agrônomos, pessoal de instalações etc. E mais interessante você saber a importância da vegetação como um elemento formador do espaço e entender a estrutura da vegetação, pois para
a.
Os detalhes de plantas específicas do local você terá o auxílio de um profissional da região.
Quais outros projetos realizados ao longo de sua carreira gostaria de citar?

Um deles é o terraço do Conjunto Nacional, em São Paulo, outro é o pátio da Assembléia Legislativa de São Paulo. Para que um trabalho obtenha êxito, em termos de execução, desenvolvimento e manutenção, precisa de alguém que esteja apostando nele, uma espécie de padrinho. E no caso do Conjunto Nacional, a gente tinha uma pessoa muito envolvida com o assunto, a Vilma Perameza, síndica do prédio. Além de acompanhar toda a fase de implantação, ela tem cuidado com a manutenção, que é fundamental num projeto de paisagismo. Se você faz um trabalho e ele é abandonado, vira um matagal em dois tempos. E se alguém troca toda a vegetação, muda completamente o caráter do trabalho. Há, claro, os pisos, a área de circulação, as áreas de estar, que estruturam bem um projeto paisagístico, mas a vegetação especificada, se for mudada, transforma o projeto completamente.
Então o cliente tem o seu papel?

Sim, tem um papel muito importante. Isso vale também para a arquitetura, que é menos frágil que o paisagismo. Se alguém colocar uma parede aqui ou uma portinha ali num trabalho do Oscar Niemeyer, por exemplo, desvirtua completamente o conceito. E no paisagismo, então, nem se fala! Por isso, os trabalhos que me deram mais satisfação foram aqueles bem implantados, executados e onde é feita uma manutenção consciente. Se o cliente solicita ao mesmo profissional que projetou para que faça ajustes ou reparos, é o melhor que pode acontecer, porque consegue manter uma linha de trabalho. Sempre que o cliente tem clareza do que quer, envolvimento com a área e que mantém por certo tempo uma equipe para manutenção, o sucesso do trabalho e a satisfação do próprio cliente estão garantidos.